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05.04.2019 - China x EUA: O que significam mais seis anos de indefinições e declarações vazias?

A guerra comercial entre China e Estados Unidos tomou proporções que nenhum dos dois países imaginava que poderia alcançar. O tempo gasto, menos ainda. Publicações do mundo todo têm tido de dar espaço à declarações cada vez mais vagas - embora obrigatórias - de ambos os lados e as redes sociais, mais especificamente o Twitter, é a fonte mais fiel dos jornalistas de todas as nacionalidades. 

 

Afinal, a rede social se tornou o maior palanque de Donald Trump que, a cada novo pronunciamento, muda o direcionamento de fluxos financeiros, ações, investimentos, commodities, índices, moedas e negócios. E os últimos 13 meses têm sido assim quando o assunto é o mais complexo embate comercial da história recente. 

 

Nesta quinta-feira, 4 de abril, a agência de notícias Bloomberg publicou uma notícia dando conta, segundo fontes familiarizadas com o assunto, que Pequim teria até 2025 para colocar em prática um possível acordo que fosse firmado com Washigton. O período daria, ao menos, mais seis anos de nebulosidades para o mercado mundial. Seis anos. 

 

O governo americano estabeleceria esse prazo para que Xi Jinping e seu time pudessem alinhar suas ações e, de fato, cumprir com os termos estabelecidos no contrato. Entretanto, Trump se recusa a levantar todas as tarifas impostas sobre os produtos chineses que atualmente vigoram, os chineses, do mesmo modo, não aceitam a situação e tudo volta ao impasse inicial. Há ainda outras questões de alta complexidade - principalmente as que envolvem propriedade intelectual e tecnologia - que também ameniza o ritmo de avanço das negociações. 

 

Ainda assim, depois de sua reunião com o vice premier chinês Liu He, Trump fez uma nova declaração dizendo que embora ainda não terminado, "China e EUA deverão fazer um acordo jamais visto na história". O mesmo foi dito há um mês. 

 

E para o Brasil?

 

Segundo o diretor do SIMConsult, Liones Severo, o mercado mundial da soja passa por seu pior momento desde meados dos anos 1990. "Isso tudo é uma grande ameaça e o mercado da soja está bastante comprometido. A China apertou os cintos e um dia sem consumo é um dia perdido", diz. 

 

A nação asiática têm, de fato, comprado menos desde o início de todo o imbróglio e somente as importações de soja deverão cair para algo próximo de 91,5 milhões de toneladas. A China não somente parou de comprar soja dos EUA, como reduziu suas compras deste produto - entre outros - de uma forma geral. Há, claro, outros fatores que ajudam a construir esta cena, mas a guerra comercial permanece como atriz principal da novela. 

 

Ainda assim, o especialista afirma que o "fator guerra comercial foi vencido à exaustão". Embora as notícias sobre o assunto sejam diárias, as reações dos mercado já não caminham na mesma velocidade, como acontecia no início da disputa.  

 

A maior preocupação agora é entender quais serão os resultados e em que impacta esse menor consumo de soja na China, em especial para o Brasil. Hoje, ainda como explicou Severo, a velocidade da oferta é maior do que a demanda e preços mais baixos, portanto, são inevitáveis e a pressão deverá continuar grande.

 

A perspectiva é de que o Brasil se mantenha como principal fornecedor de soja - e outros produtos - da China neste período em que vigora a guerra, do mesmo modo no intervalo dos próximos seis anos previstos para que o possível acordo seja efetivado. 

 

"E eu acho que o negócio da China (com os EUA) não sai. Não é verdadeiro dizer, inclusive, que os chineses já estão comprando mais soja americana", diz Severo. A alíquota de 25% da nação asiática sobre esse produto, afinal, permanece", completa. 

 

Assim, o Brasil terá que prospectar melhores prêmios quando o assunto é mercado da soja. Nesta temporada, o saldo exportável é menor depois da quebra da safra, a demanda interna é mais intensa - também por conta da China, que precisa comprar mais proteína animal brasileira, principalmente carne de porco dados os surtos de peste suína - e o país já embarcou um volume recorde do grão no primeiro trimestre. 

 

Foram 5 milhões de toneladas a mais se comparado com o mesmo período de 2018, ano em que o foram exportadas 84 milhões de toneladas de soja. Um recorde. O total deste ano terá de ser menor, a demanda deverá ser racionada ou faltará produto no Brasil, alertam, analistas e consultores de mercado. Os mesmos acreditam que o segundo semestre de 2019 pode trazer boas oportunidades de negócios para o sojicultor brasileiro. 

 

Mesmo com essas contas simples que mostram resultdos importantes, o diretor do SIMConsult orienta. "Não se pode vender a qualquer preço". Os prêmios no Brasil, afinal, seguem sem força para uma recuperação mesmo diante de tal força da demanda e mesmo enfraquecida, a guerra comercial continua assombrando as cotações internacionais. 

 

É necessário se proteger. Hedge, mercado de opções, trava no câmbio, as alternativas de proteção para o produtor brasileiro são inúmeras e só a proteção irá lhe garantir resultados que sejam, ao menos, satisfatórios. eficiência da comercialização e a gestão de risco nunca andaram tão juntas como neste momento. E essas sim deverão firmar um belo acordo para passar por essa tormenta que ainda vai mostrar os estragos causados a médio e longo prazos. 

 

Dessa forma, as únicas notícias que se confirmam, portanto, até este momento, são as de que não há acordo algum selado e firmado entre chineses e americanos, a novela continua, e enquanto isso se discute e enquanto as informações circulam, o crescimento da economia mundial está bastante ameaçado. 

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Fonte/Créditos da Imagem: Notícias Agrícolas